Carismático compositor do século XX, Edgard Varèse (Paris, 1883 - Nova Iorque, 1965) passou a sua infância em Paris, Borgonha e Turim, na Itália. Na sua cidade natal, estudou com Vincent d’Indy, Albert Roussel e Charles Widor. Parte para Berlim, em 1907, emigra para os Estados Unidos, em 1915. Por lá promove não só a interpretações de obras de outros artistas do século XX, como também de música antiga, e funda a International Composers ‘Guild e a Associação Pan-Americana de Compositores, organizações essas que serão responsáveis por estreias de peças de autores tão significativos como Béla Bartók, Alban Berg, Henry Cowell, Charles Ives, Maurice Ravel, Francis Poulenc e Anton Webern, entre muitos outros.
Também nos Estados Unidos, imbuído de um espírito de radicalidade na procura de um novo som para o seu trabalho, resolve destruir todas as suas composições escritas até então. As obras resultantes das suas pesquisas ulteriores, que se caracteriza, estruturalmente, por uma força intrínseca no que concerne a ritmo e timbre, são, hoje, universalmente incontestadas como marco da criação musical contemporânea, num traço que viria a influenciar, de forma determinante, a grande maior parte dos compositores de vanguarda das épocas conseguintes.
Nuno Aroso (Porto, 1978) é actualmente reconhecido como um dos mais activos percussionistas. Desenvolve a sua carreira focado na difusão da nova música, colaborando activamente com inúmeros compositores dos mais variados quadrantes estéticos e de diferentes pontos do globo. Resulta dessa colaboração o crescimento de um repertório próprio e idiossincrático que, simultaneamente, contribui para o desenvolvimento da literatura da percussão enquanto área instrumental e perfomativa. Tocou em estreia absoluta mais de 100 obras e gravou parte deste repertório em inúmeras edições discográficas. Peter Klatzow, Peter Ablinger, Oscar Bianchi, João Pedro Oliveira, Luís Antunes Pena, Matthew Burnter, são alguns dos nomes que têm escrito para Nuno Aroso. Apresenta-se como professor, membro de júri, intérprete, em variados eventos em Portugal, França, Alemanha, Bélgica, Espanha, Itália, Eslovénia, Brasil, China, Tailândia, África do Sul, Argentina, Grécia, Suécia, Inglaterra, Canadá, Bulgária, Tunísia, Escócia, Canadá, Coreia do Sul, Japão e Chile, entre outros. Particularmente motivado para o enriquecimento e renovação do concerto enquanto espectáculo completo e multidisciplinar, desenvolve com frequência relações artísticas com outras disciplinas: Dança, Cinema, Teatro, Literatura. O compromisso com a música de câmara, assim como o interesse pelo experimentalismo e a improvisação, levam Nuno Aroso a colaborar com variados colectivos um pouco por toda a Europa. Durante os últimos anos, criou uma série de duos temáticos com outros artistas, propondo-se explorar a capacidade de adaptação da percussão quando em diálogo com diferentes entidades sonoras. Os projectos para a presente temporada incluem a gravação de um documentário (france tv), edição de um livro e de uma colecção de álbuns sobre estes trabalhos temáticos em duo. Serão também lançados três discos com primeiras gravações de obras para percussão solo. Na agenda estão passagens por palcos Europeus, Norte-americanos, Sul-americanos e Asiáticos. Nuno Aroso é licenciado pela ESMAE com a classificação máxima e prosseguiu estudos em Estrasburgo e Paris. É doutorado em música, com a tese The Gesture ́s Narrative - Contemporary Music for Percussion. Lecciona na Universiade do Minho e estende a actividade pedagógica em masterclasses e seminários em universidades, conservatórios, festivais de percussão, um pouco por todo o mundo. Nuno Aroso é artista Adams, artista Zildjian e toca com baquetas Elite Mallets.
Com uma atividade regular desde 2012, o Grupo de Percussão promove a criação e interpretação camerística no âmbito da classe de Percussão do Departamento de Música da Universidade do Minho. Contando com um elenco de 15 percussionistas, em formações variáveis, o agrupamento privilegia a criação contemporânea, destacando- se na sua actividade recente a estreia da obra Bridges and Gardens, de João Pedro Oliveira, e participações em inúmeros concertos e festivais, como o Serralves em Festa, Tromp (Holanda) e Adams International Percussion Festival (Holanda). O Grupo de Percussão da Universidade do Minho tem, desde a sua criação, direcção artística do professor Nuno Aroso.
Madalena Soveral (Porto, 1968) estudou com a sua mãe, Hélia Soveral, prosseguindo a sua formação no Conservatório de Música do Porto e, na qualidade de bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e da SEC, na École Normale de Musique de Paris, onde obteve a "licence de concert". Estudou também com Reine Gianoli, Marian Rybicki e Claude Helffer, entre outros. Em 1986 foi-lhe atribuído o prémio “900 Musicale Europeo”. Desde 1980, apresenta-se regularmente em concertos a solo, com orquestra ou integrando várias formações de música de câmara, com actuações em Portugal e no estrangeiro (Itália, França, Reino-Unido, Bélgica, Suíça, Marrocos, Macau, Síria, Espanha). Ao longo da sua intensa actividade concertística, Madalena Soveral tem dado particular atenção ao repertório do séc. XX, colaborando com diversos compositores e intérpretes. Neste âmbito destacam-se o trabalho com o compositor Giacinto Scelsi e com o grupo "Les Percussions de Strasbourg", bem como a colaboração com o pianista Jean-Louis Haguenauer e os percussionistas Christian Hamouy e Georges van Gucht, intérpretes com os quais formou o grupo TETRA. Fez numerosas estreias mundiais, referindo-se de forma particular as peças que lhe foram dedicadas: Estudos de Sonoridades de Filipe Pires, Interrogations de Miguel Graça Moura, In Tempore para piano e electrónica de João Pedro Oliveira, Dominos de Sharon Kanach, Episode para dois pianos, marimba e vibrafone de Francis Bayer. Professora Coordenadora na Escola Superior de Música do Porto, Madalena Soveral fez um trabalho de investigação sobre música portuguesa para piano do século XX na Universidade Paris 8 (Saint-Denis), onde se doutorou com a tese «Quatre compositeurs. Quatre œuvres: la musique portugaise pour piano des années 90».
Pedro Junqueira Maia (Porto, 1971) completou o Curso Superior de Composição pelas Escolas Superiores de Música do Porto e de Lisboa.
Paralelamente frequentou os cursos de Pintura e História da Arte no século XX da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa. Trabalha regularmente em música para teatro. Fez música para cinema e dança.
Fundador do Atelier de Composição, é coordenador da colecção de livros Compositores Portugueses Contemporâneos, com edições já lançadas sobre Cândido Lima, João Pedro Oliveira, Álvaro Salazar e Fernando Lopes Graça, entre outras publicações. Foi editor musical da Águas Furtadas – Revista de Literatura, Música e Artes Visuais, publicada pelo Núcleo de Jornalismo Universitário do Porto. Foi director artístico e de programação do "Memorando Lopes-Graça" (1.º lugar nos concursos do Ministério da Cultura de 2006). Lecciona Análise Musical no Departamento de Música da Universidade do Minho, em Braga. É doutorando em Música na Universidade Católica Portuguesa, no Porto, com tese sobre os grupos portugueses de música contemporânea fundados pelos compositores da geração de 60 (bolseiro FCT).